Prefácio

      "As realizações humanas mais elevadas não estão na precisão de sua ciência, mas na perfeição de sua arte.
      Alguma coisa que traduza um gesto de criação, uma intenção de beleza, de magia e sedução.

      Uma forma esculpida na argila, uma música, um poema têm o poder de nos colocar em contato com os nossos
      sentimentos mais profundos, trazendo-os à tona. Por alguns instantes, abrimos mão de nossas defesas,
      nos despimos de nossas armaduras e nos permitimos sentir. E corremos o risco de revelar um pouco da nossa
      fragilidade, deixando escapar uma lágrima, uma palavra jamais confidenciada.

      A força propulsora da criação artística consiste na expressão dos sentimentos. São eles que nos tocam
      e nos irmanam. Nesse sentido, o poeta é um eterno desbravador de caminhos. Ao invés de trilhar
      as mesmas sendas, está sempre na busca de novos rumos, novas paisagens, seguindo o impulso
      de suas próprias verdades. A seus olhos, o homem, a vida e o cotidiano transcendem a vulgaridade.

      Os poemas de Flávio Villa-Lobos falam de coisas comuns e singelas, com profunda originalidade.
      Saboreando-os, um a um, nos identificamos com uma palavra, uma lembrança, um sentimento.
      E a arte nasce de novo em cada um de nós - criatura que, por alguns instantes, experimenta
      a sensação de ser também criador."

                
      Nye Ribeiro Silva, escritora




      Nota do autor


      Este livro contém poemas que escrevi na época da minha adolescência. Alguns estão sendo publicados na íntegra,
      sem nenhuma revisão de ordem estética ou mesmo estrutural. Outros foram reformulados. Fiz questão, porém,
      de preservar intacta a idéia original de cada poema.

      Já disseram que a "adolescência é uma idade tola". Realmente, trata-se de uma época em que nossas vidas
      são marcadas por inúmeras ilações precipitadas e perturbadoras:


      queremos abraçar o mundo com as mãos;
      somos invencíveis;
      nossos ideais e sonhos estão vivos;
      entramos em conflito com os "velhos";
      as paixões explodem a todo instante...


      Então, paulatinamente, de maneira imperceptível,
      na medida em vamos avançando no tempo:


      começamos a ter consciência do tamanho do mundo;
      conhecemos as primeiras derrotas;
      acordamos para a dura realidade;
      passamos a agir como nossos pais;
      e as paixões, ora! as paixões...


      Com esta singela publicação - que ouso chamar de literária - tento resgatar um pouco da magia que um dia
      já sentimos vibrar em nossos jovens e intrépidos corações.



                                   
      © 2001 Flávio Villa-Lobos